PENSAMENTOS: Água que corre no rio

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ÁGUA QUE CORRE NO RIO

Tu, que outrora te via correr,

Eufórica, pura, bela,

Fresca e brilhante,

Endeusada pelo Astro Rei,

Cantando, saltando e bailando,

Sempre livre, bem solta,

Vejo-te, hoje, esquecida,

Como fruto de um parto obsceno,

Deslizando traída,

Envolta em profunda aflição,

Para meu eterno pesar…

 

Sim… Hoje vejo-te atraiçoada

Palas mãos e ações do ser, dito humano,

descendo os patamares

profundos e insondáveis do abandono,

Da execrável incúria humana,

Rumo ao nada, à perdição,

Ao esquecimento,

Ao descalabro total

E degradação da vida comum,

Tanto animal como vegetal…

 

O meu sofrer é grande, acreditem-me…

O bicho homem, esse potencial selvagem,

Altera e polui a tua seiva,

O sangue que a todos alimenta e refresca.

À minha volta, vejo rostos,

De sorriso conspurcado, bem alarve,

De figuras irrequietas, inconscientes,

Grosseiras, profanas,

Que de ti deixaram de cuidar,

Nos curtos e isolados momentos de consciência,

Que ainda lhes sobra.

 

De joelhos,

Prostrado junto ao teu leito,

Que te guia rumo ao mar salgado,

Eu quero juntar,

Algumas das minhas lágrimas sofridas,

Que de meu rosto se teimam libertar,

Como sangue purificado,

Vindo da ALMA sofrida,

Para poder incrementar o teu caudal

E não te deixar murchar ou secar,

Pois que, se assim o suceder, um dia,

Quero seguir junto de ti,

No teu leito de morte,

A caminho do vazio, do nada,

Do ocaso da nossa essência…

 

2018-03-01

Prosa

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