Início MotorSports RALICROSS: PTRX, Adversidade x Oportunidade

    RALICROSS: PTRX, Adversidade x Oportunidade

    ADVERSIDADE X OPORTUNIDADE

    Tenho o hábito de ver o copo meio cheio e se é certo que há factores que são inultrapassáveis, é certo também que de tempos difíceis como os que atravessamos, saem normalmente grandes soluções.

    Pedro Gil
    Pedro Gil de Vasconcelos

    O desporto parou e nesse panorama o Ralicross não é excepção. A FPAK ditou a suspensão das provas – e de outra forma não poderia ter procedido – e os clubes, pilotos e acho mesmo que posso dizer todos nós aceitamos o facto: há um objectivo maior que passa por derrotar o COVID 19.

    Numa altura em que se começa a falar de regresso à normalidade – a possível, acrescento – será também a altura de começar a pensar no como regressar, sempre sabendo que enquanto as regras não forem definidas, não há jogo.

    O que me parece também, é que as prioridades têm que ser dadas às provas internacionais e aos Campeonatos Nacionais. Havendo esta prioridade, há que ver quais são os têm condições de arrancar e o Ralicross está entre estes, sem dúvida.

    Neste momento os panoramas prováveis são um regresso a alguma normalidade lá para Julho, ou mesmo Agosto/Setembro, o que a acontecer nos colocaria na necessidade de fazer oito provas em cinco, ou mesmo quatro meses, o que coloca o espaço de tempo curto e com o efeito incontornável de atirar a realização da Taça de Portugal para “as calendas”… e só estou a falar de Ralicross, se juntarmos todas as outras provas, uma coisa é certa: não vai dar!

    Outra coisa é igualmente certa: o Campeonato de Portugal de Ralicross arrancou e vai ter que se definir, para que possa terminar tão bem quanto possível. Parece-me também que algumas das provas previstas terão que ser anuladas, para que seja possível “encaixar” pelo menos uma de cada clube no que vai restar da época.

    Por outro lado, temos o efeito da crise económica e certamente que por parte dos pilotos, não vai haver o “desafogo” que permitiria fazer toda a época e por isso, também para que os projectos que se iniciaram em Março passado tenham a conclusão possível e neste aspecto realço o “possível”, é fundamental que o arranque aconteça. Como? Essa é a grande questão para a qual não tenho ainda resposta, mas tenho alguns pontos que me permitem ver o copo meio cheio para esse arranque.

    As questões da adversidade:

    Se o campeonato arrancar mais cedo, poderá haver público nas bancadas? Quanto?

    E se as provas se realizarem à porta fechada, que clubes vão aceitar prescindir da bilheteira? Recordo que a maioria das provas do PTRX junta mais público que a maioria dos jogos de futebol (com excepção dos cinco maiores clubes) e que a bilheteira é um fonte de receita incontornável para a maioria dos organizadores.

    Quantos pilotos vão ter capacidade económica de realizar as provas que faltam e já agora, não menos importante, quantos preparadores se vão “aguentar” neste período?

    Os preparadores ficam muitas vezes fora das tomadas de decisão e são pedras basilares da modalidade. Nesta altura, muitos já estão necessitados de retomar a actividade como de pão para boca.

    Agora as questões das oportunidades:

    Antes de mais há muita gente a sentir falta da emoção, do fim-de-semana passado nas corridas, do rever os amigos, de fazer coisas. Esta parece-me a maior de todas e por isto entendo que o sucesso das próximas provas é garantido. Se o campeonato for encurtado, essa garantia será maior, pois a questão financeira fica mais fácil para os pilotos.

    Logicamente que a questão da protecção terá que ser acautelada, com distanciamento, forte redução do número de pessoas no paddock e implementação do uso de máscaras, luvas, viseiras, etc. Realço que a redução de pessoas no paddock é importante.

    O Ralicross, tal como a velocidade, não é disputado em estrada aberta o que permite, por exemplo, controlar a entrada de público e manter a segurança das provas com meios humanos e materiais muito inferiores em números. Recordo que as pistas são curtas e o espaço de competição reduzido o que permite manter um nível de segurança elevado e eficiente, com um número de meios reduzidos. Ou seja, o Ralicross não “consome” ambulâncias e forças policiais.

    Por outro lado, em tantas outras modalidades, há tantos outros pilotos parados e com vontade de correr. Acredito que as super-especiais e alguns ralis regionais poderão ter dificuldade em regressar, pelas condicionantes mencionadas acima. Esses pilotos vão ter no ralicross, uma opção válida para correrem. Já pensaram nisto?

    Alguns dos R5, ou dos Mitsubishi Lancer que poderão ficar parados, vão ter no Ralicross uma oportunidade de competirem. Pilotos de SSV´s que poderão encontrar no PTRX uma opção. Pilotos de carros de duas rodas motrizes, que vão poder participar pois têm várias opções onde os carros se integram, graças ao regulamento técnico do Ralicross.

    Desta adversidade, podem resultar óptimas oportunidades para o Ralicross. Temos tudo para que assim seja, temos boas perspectivas para todas as categorias e mesmo a Supercar, pode desta forma regressar à “gloria” que se deseja, e toda a modalidade poderá receber uma transfusão de sangue novo. Não duvido de que quem participe vá ficar “viciado”.

    Venham de lá as corridas, mas até lá #FiqueEmCasa

    Pedro Gil de Vasconcelos – Promotor do PTRX – Campeonato de Portugal de Ralicross, Kartcross e Super Buggy